Nos últimos trinta dias ao lermos um jornal, ouvirmos uma notícia no rádio ou ao assistirmos aos telejornais a tônica sobre economia e mercado é “crédito e inadimplência”.
Isto se deve a importância que o crédito tem nos dias atuais no cotidiano das pessoas, empresas e governos, mas também, o risco que a inadimplência traz sobre todos nós.
Mas afinal de contas, a inadimplência não provém de um excesso de crédito?
Uma análise primária mostra que sim, porque as pessoas, empresas e governos ficam inadimplentes, ou seja, não conseguem pagar suas dívidas por que tomaram crédito em demasia; todavia isto não é uma verdade absoluta.
A questão está muito mais ligada na “qualidade” do que na “quantidade” do crédito que buscamos, ou seja, quando pegamos dinheiro emprestado existe muito mais importância no “para que buscamos” do que “no quanto pegamos”.
Alguns autores tentaram descrever isto em seus livros, destacando a obra “Pai Rico, Pai Pobre” de Robert T. Kiyosaki, que recomendo a leitura. Ao se tomar recursos emprestados ou comprarmos a prazo devemos ter em mente que a “boa dívida” é aquela que se destina a construir riqueza e gerar novo valor. Exemplifico quando uma pessoa toma recursos num Banco para aquisição da casa própria com o intuito de não pagar mais aluguel.
Todavia quando contraímos um empréstimo para satisfazer uma vaidade pessoal de consumo como a troca de um carro, por exemplo, sem lembrar dos custos advindos desta decisão (desvalorização do veículo, custos de manutenção, tributos e seguro), temos o típico caso de uma “má dívida”.
Os índices de inadimplência verificados junto ao SPC Brasil – Serviço de Proteção ao Crédito demonstram claramente isto, ou seja, índices de inadimplência estão sob controle nas “boas dívidas” e os índices se mostram elevados nas consideradas “más dívidas”.
Esta conclusão não tem o condão de evitar com que as pessoas não comprem a prazo bens de consumo puros, isto sempre ocorrerá e se faz necessário e salutar para a economia, mas o que devemos estar atentos é se o nosso orçamento comporta estes compromissos.
Diante disto, constatamos que o núcleo da inadimplência esta na falta de planejamento das pessoas, na falta que se comete ao não se ter um orçamento familiar, um problema cultural das famílias, com origem ainda na época da inflação alta, mas que deve ser corrigido para que voltemos a crescer de forma sustentável.
Planejamento e orçamento são mais que palavras, são ações que devemos praticar e que diferenciam pessoas “com” e “sem” sucesso.
* Roque Pellizzaro Junior
Presidente da CNDL
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