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Indicador de compras on-line aponta deflação de 5,7% em 2011

Por: CNDL Brasília 23 de fevereiro de 2012
Indicador de compras on-line aponta deflação de 5,7% em 2011

Se o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial no país, fosse medido pelas compras feitas via internet, as preocupações do Banco Central seriam outras. Enquanto a inflação medida pelo IPCA fechou 2011 com alta de 6,5%, o indicador que mede a evolução dos preços de produtos comprados on-line, o e-flation, fechou o ano passado em campo oposto: queda de 5,70%.

O e-flation foi desenvolvido pelo Programa de Administração do Varejo da Fundação Instituto de Administração (Provar), em parceria com a Felisoni Consultores Associados, e mede a variação dos preços de produtos de consumo comprados por meio do comércio eletrônico. A evolução em sentido oposto à vista no IPCA pode ser compreendida pela facilidade e velocidade das pesquisas on-line, o que torna a concorrência infinitamente mais acirrada emrelação ao que ocorre entre as lojas físicas.

“Na internet as variações de preços são mais pronunciadas, ou seja, tanto as quedas quanto as altas são mais intensas porque os produtos são menos homogêneos.

Um lançamento de produto de informática, por exemplo, automaticamente deixa mais barata a linha anterior – mas como o comprador tende a comprar a novidade, o e-flation pode captar uma variação alta na categoria”, explica o presidente do Conselho do Provar, Claudio Felisoni.

É claro que nem todas as categorias são comparáveis entre os dois indicadores – o e-flation mede somente 11 categorias de produtos-mas alguns itens são representativos das diferenças na inflação medida nas lojas físicas e nas virtuais. O item brinquedos, por exemplo, registrou alta de 4,04% na inflação medida pelo IPCA em 2011 e deflação de 1,24% no e-flation. Em eletroeletrônicos o IPCA registrou deflação de 5,40%, queda que foi mais relevante nas compras online (-11,8%). No caso de livros os movimentos foram opostos: deflação on-line de 4,70% e inflação pelo IPCA de 4,55%.

Se no IPCA os maiores pesos estão nas categorias alimentação e bebidas (23%) e transportes (20,5%), no e-flation as categorias de maior representatividade são outras. Os maiores pesos nas compras online, conforme as ponderações de 2011, foram nas categorias livros (24,8%), informática (16%), eletroeletrônicos (9,3%), linha branca (8,5%) e perfumes e cosméticos (8,2%). “Há alguns anos as compras online eram basicamente de livros, CD´s e DVD’s. Mas hoje produtos como eletrodomésticos e eletroeletrônicos ganharam muita relevância”, diz o presidente da consultoria de gestão Othink, Marlos Barbosa.

Segundo Claudio Felisoni, as vendas pela internet representam algo em torno de 5% do total do varejo brasileiro, mas o crescimento mostra ritmo muito superior ao experimentado pelas lojas físicas. “Em 2010, as vendas no varejo cresceram 12% e as vendas pela internet cresceram 40%. Já em 2011, o varejo físico cresceu 6,7% e o virtual deve fechar com crescimento de 35%-há muito espaço para crescimento ainda.”

Grande potencial Ao se avaliar os números, a compra pela internet está inserida numa escala com muito potencial de crescimento no Brasil.

“O número de internautas no Brasil está em torno de 85 milhões de pessoas, e cerca de 45% da população tem acesso à internet – nos Estados Unidos, por exemplo, esse índice é de 80%”, diz Marlos Barbosa.

No Brasil, diz Barbosa, a maioria das pessoas ainda usa a internet para buscar informação sobre os produtos desejados, mas a compra mesmo é feita na loja física. “Quando a pessoa vai à loja física já tem toda a referência de preços e a internet exerce a função de facilitador da negociação”, diz.

Segundo o consultor, em 2010 o comércio on-line movimentou R$ 14,8 bilhões e a estimativa é que o ano passado tenha fechado com uma movimentação na casa dos R$ 20 bilhões.

“É um setor que cresce em média 30% ao ano, num mercado que está em processo de maturidade no país-a velocidade de navegação ainda é ruim, o consumidor ainda não tem hábito de comprar online, o fator confiança ainda precisa melhorar em relação às compras online. Mas temos agora as mídias sociais, que têm ajudado a melhorar o relacionamento com o consumidor.”

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As vendas pela internet representam cerca de 5% do total do varejo brasileiro, mas o crescimento mostra ritmo muito superior ao experimentado pelas lojas físicas. 

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