A expectativa do Produto Interno Bruto, somatório de todas as riquezas geradas no Brasil, referente ao ano de 2012 era, mesmo para os mais pessimistas, para situar-se em um número superior a 1%, o que acabou não acontecendo. Infelizmente, o desempenho da economia brasileira ficou muito a desejar, com apenas 0,9% de crescimento econômico no ano passado, índice inferior aos 2,7% apurados em 2011 e o menor desde 2009, quando a queda do PIB foi de 0,3%.
A situação fica ainda menos agradável quando observamos o motivo que puxou o desempenho do PIB para baixo: os resultados da indústria aquém da expectativa, tendo como contraposição o comércio e serviços que foram as atividades que não deixaram que tivéssemos o que seria um indesejável índice negativo. Mas como isto pode acontecer? Quais as consequências de termos um desempenho tão descolado de indústria e comércio?
Fica claro que estamos suprindo nosso mercado interno com produtos manufaturados importados, estamos iniciando um perigoso processo de desindustrialização, fruto da falta de competitividade de nosso parque industrial. Estamos comprando cada vez mais de outros países e ainda pior, de indústrias de capital externo, diferentemente do que fazem os norte-americanos que compram de outros países, todavia, de indústrias suas. Ou seja, se em algum momento quiserem retornar seus parques industriais para dentro de suas fronteiras, isto será possível. Já o que está acontecendo com o Brasil é o inverso, pois esta opção não existe.
Mas este não é único problema que preocupa diante do pífio crescimento do PIB que tivemos. O setor com o melhor desempenho, o comércio, também apresenta sinais de fadiga, de esgotamento de sua capacidade de continuar a ser a única locomotiva a levar a economia nacional a frente. O modelo econômico brasileiro que vem se fundamentando na expansão do consumo, auxiliado por um mercado de trabalho estável, crescimento da massa salarial e oferta de crédito tem limites e a tendência é chegar a exaustão. Qualquer descontrole pode levar á inadimplência da classe consumidora. Ainda mais num cenário de pressão inflacionária. Precisamos, na verdade, de redução dos gastos públicos, reforma tributária e investimentos em infraestrutura, pois sem esta base nenhum país cresce de forma saudável. A competitividade, a qualidade e a capacitação devem da mesma forma trilhar juntos numa economia que deseja ganhar fôlego.
Fruto da inexistência de uma política voltada a sustentabilidade da atividade, o comércio vem crescendo desordenadamente, o que facilmente vemos pelo desempenho desigual das diversas modalidades de varejo. Assim, caso não tenhamos num curto espaço de tempo, um ordenamento, um esforço coordenado de ações, corremos o risco de ver a locomotiva que vem levando adiante nosso desempenho, quebrar.
Roque Pellizzaro Junior
Presidente da CNDL
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