Segundo semestre será marcado por alta no desemprego e redução no consumo
Por Brunno Melo
O ano de 2015 ficará marcado pelo fechamento de mais de 1,1 milhão de postos de trabalho, mais de 800 mil somente na indústria e na construção civil. A estimativa é feita pelo do Conselho Federal de Economia e ilustra bem a opinião de especialistas e representantes do setor produtivo de que o pior da crise ainda está por vir. Segundo o estudo do Conselho, o aumento no desemprego está diretamente relacionado com a alta na taxa básica de juros e a situação deve se agravar depois da decisão do Banco Central que elevou a Selic em mais meio ponto percentual na tentativa de segurar a inflação. Foi a sétima alta seguida. O presidente da Confederação Nacional dos dirigentes lojistas, Honório Pinheiro, afirma que outro efeito esperado é uma alta no índice de inadimplência.
“Nós deveremos ter sim um aumento de inadimplência além de ficar o crédito mais difícil e as pessoas também vão comprar menos. Então, nós não acreditamos que por melhor reação que haja em dezembro venha salvar o ano, nem sequer para empatar”.
Já o diretor da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade, Miguel Oliveira, alerta que o trabalhador deve tomar medidas preventivas para minimizar os impactos do agravamento da crise.
“Nesse ambiente, então, o consumidor tem o pior dos mundos que tem lá uma queda de sua renda frente a uma inflação mais alta de um lado e agora com o risco de perder o emprego e não ter condições de se manter. Então este cenário é muito ruim pelo ponto de vista do consumidor, motivo pelo qual ele tem que ficar um pouco atento, evitar se endividar, evitar fazer empréstimo principalmente a longo prazo para não comprometer muito a renda”.
Um dos setores mais afetados, a indústria avalia que medidas anunciadas pelo governo para enfrentar a crise tem se mostrado insuficientes. O diretor de políticas e estratégia da Confederação Nacional da Industria, José Augusto Fernandes cita por exemplo o programa de proteção ao emprego anunciado pelo executivo que segundo ele deve ter um impacto muito limitado.
“Até porque é uma medida que tem várias restrições, nem todos os setores e empresas podem se beneficiar dessa medida”.
Outro fator que pode aprofundar ainda mais a crise no Brasil é a possibilidade de rebaixamento da nota de crédito do país. Essa semana a Standard &Poor’s fez mais um movimento neste sentido deixando o Brasil a apenas um nível de perder o selo de bom pagador. O economista André Perfeito afirma que um dos impactos do rebaixamento será uma disparada ainda maior no dólar. Ele alerta, no entanto, que é preciso tomar cuidado com previsões exageradas em relação a alta da moeda americana
“Muita gente fala que pode chegar a quatro reais o câmbio, só que estão falando que pode chegar a quatro reais desde 20013. Então é bom tomar algum com isso porque o Brasil atrai muito dinheiro porque a gente paga muitos juros. Só que aí a gente tem que lembrar que se o Brasil sofrer um down way ou se é um problema pior na esfera política, claro pode diferenciar um pouco mais, a gente já está muito próximo deste patamar.
Relatório publicado esta semana pela Comissão Econômica para a América Latina e Caribe – que é uma agência da ONU, confirma as projeções ruim da economia brasileira. Segundo a entidade, Brasil e Venezuela são os únicos países da área que terão retração da economia.
Fonte: cbn.globoradio.globo.com
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